Jaguar-Juruena
é um programa de conservação da
onça-pintada (Panthera
onca) desenvolvido por pesquisadores da Reserva Brasil
para atuar no norte do estado de Mato Grosso. Este programa
procura identificar os principais aspectos da biologia da
espécie e a
opinião pública dos moradores
para contribuir com a
conservação do maior felino brasileiro ao sul da
Floresta
Amazônica.
O
desmatamento eliminando os ambientes
naturais, os conflitos com os criadores de gado e outros animais, a
intolerância da coexistência com humanos gerando a
caça descontrolada são as maiores problemas que
existem
para conservação da
onça-pintada. Extensas
áreas de floresta estão em poder de
proprietários
de terras, os quais são tomadores de decisão de
fundamental importância para
preservação e
conservação da onça-pintada nas
áreas particulares.
O norte do estado de Mato
Grosso
possui uma extensa região de Floresta Amazônica de
Terra
Firme e
ecôtonos com Cerrado, podendo suportar vasta e
abundandânte fauna silvestre terrestre. A região
do vale
do rio Juruena ainda possui grande porção de mata
ciliar
em excelente estado de conservação. O
município de
Nova Bandeirantes é um exemplo de cidade em fronteira de
colonização que apresenta uma grande
porção
de floresta preservada (figura 1).
As
grandes fazendas de criação de gado
estão
diretamente relacionadas com a conservação da
onça-pintada. Embora sejam responsáveis por
desmatar
extensas áreas e muitas vezes os responsáveis
pelo gado
matam onças predadoras de gado, as grandes fazendas
geralmente
possuem grandes reservas legais. Essas reservas legais
geralmente abrigam muitas populaçoes silvestres.
Entretanto, a garantia de conservação ainda
não
é 100% so por manter as áreas de reserva. Muitas
vezes
é preciso coibir ou controlar a caça.
Não
somente a caça de onças, mas a caça de
suas presas
como queixadas, catetos, veados, antas, capivaras, macacos, pacas,
quatis, cutias, além das aves como mutum, jacamim, jacus,
jacutingas e macucos e répteis como jabutis e e
jacarés.
Figura 2. Couro de
onça-pintada preta (Panthera
onca),
macho adulto jovem, 70 kg, morto às 10h00 após
atacar um
porco doméstico à poucos metros da casa.
Figura
3. Couro de onça-pintada fêmea,
morta por estar andando muito próximo das propriedades.
O
Programa Jaguar-Juruena é dividido em
quatro componentes: ecologia populacional, conflito com humanos,
abundância de presas e caça das presas. Nestes
componentes
buscamos identificar os principais
aspectos relativos à conservação da
onça-pintada.
Ecologia Populacional
É
realizada uma
estimativa da abundância relativa da onça-pintada
em dois
cenários de ocupação humana no meio
rural, as
grandes fazendas de gado e os assentamentos com pequenos
sítios.
A abundância das onças é estimada em
números de vestígios (rastros, fezes, arranhados
etc.)
por 100km percorridos em trilhas, estradas, divisas e cercas.
Figura
4. Pesquisadora medindo rastro de onça-pintada.
Armadilhas fotográficas
são
instaladas para identificação dos
indivíduos de
onças-pintada por diferenciação das
malhas
laterais. Cada individuo possui um padrão de malha
único,
possibilitando a individualização por meio de
fotografias. As armadilhas fotográficas também
são
utilizadas para avaliação das presas e
identificação das espécies que
utilizam as mesmas
áreas da onça-pintada.
figura
5. Instalando armadilha-fotográfica.
Figura 6.
Onça-pintada fotografada por
armadilha-fotográfica.
Conflitos
com humanos
Neste componente é investigado os ataques da
onça-pintada
sobre o gado.
São entrevistados os responsáveis pelo manejo
do gado
nas fazendas, registrando os animais abatidos mortos pela
onça.
Figura
5. Novilha atacada por onça-pintada.
Video 1. Animais predados por onças-pintadas.
Abundância
de presas
Nós estamos estimando a população de
presas
silvestres da onça-pintada com enfoque nos
mamíferos.
Estamos realizando transectos em áreas protegidas e em
áreas com atividade de caça. Dados de
abundância
serão estimados em número de
animais/espécies
avistados a cada 10 km percorridos
Video 2. Encontro com queixadas (Tayassu
pecari).
Caça
das presas
Avaliando a atividade de caça praticada por colonos.
Coletamos os crânios de mamíferos
caçados para identificar a espécie e avaliar a
biomassa
extraída. Estamos avaliando a estrutura de
idade da
população de porcos-do-mato com ênfase
em
queixadas. Os dados de caça das presas também
auxilia na análise de
sobreposição de nicho entre a
onça-pintada e o
ser humano.
Figura
6. Pesquisador fazendo manutenção dos
crânios de mamíferos doados por
caçadores locais.